Europa está decidida a pôr-nos a andar a gás natural. Será vantajoso?

7 de agosto de 2019

Depois dos eléctricos, a Europa aposta no gás natural para alimentar os motores de combustão. Para já, nos camiões, nos autocarros e nos navios. Mas também nos automóveis que não podem ser eléctricos...

A União Europeia (UE) está apostada em melhorar a qualidade do ar que se respira e em reduzir a percentagem de dióxido de carbono na atmosfera que, apesar de não ser um poluente, provoca o efeito estufa responsável pelas alterações climáticas. Esta é uma tarefa ciclópica, com várias áreas de intervenção, e começa logo pelo ataque à produção de energia eléctrica através da queima de carvão – prioritária por ser de longe a mais poluente –, derivados de petróleo e até mesmo gás natural, concentrando-o progressivamente em fontes renováveis.

Para quem é prioritário o gás natural?

Com o problema dos veículos ligeiros ‘resolvido’, a UE concentra-se agora nos transportes pesados (camiões de longo curso e autocarros de transporte público) e navegação marítima, cuja operação é mais poluente do que se possa pensar, porque se tratam de veículos que devem estar sempre em movimento. Logo, a poluir para serem rentáveis.

A única solução em cima da mesa para cortar as emissões de forma considerável, e passível de ser implementada de imediato, é o gás natural. Os cientistas concordam – digamos que foi uma decisão muito menos polémica do que o investimento em carros eléctricos – e Bruxelas apressou-se a anunciar que o gás de petróleo liquefeito (GPL) era para descontinuar e que o gás natural era a sua nova aposta.

O que tem de “mágico” o gás natural?

Face à gasolina e ao gasóleo, o gás natural só tem vantagens. É queimado em motores que já conhecemos bem, essencialmente unidades a gasolina adaptadas, enquanto a sua combustão é praticamente isenta de partículas –  produz menos 75% a 85% de óxidos de azoto (NOx) e gera 25% menos de CO2. Mais importante do que isso, é mais barato e os veículos preparados de fábrica para circular com este gás custam sensivelmente o preço de um concorrente a gasolina e substancialmente menos do que um veículo similar com motor a gasóleo.

Posto de abastecimento custa 1 milhão de euros

A pergunta “onde é que posso abastecer de gás natural” tinha como resposta, até há bem pouco tempo, “só há um posto de abastecimento em Lisboa e outro no Porto”. Hoje, porém, já há 14 postos de abastecimento, segundo Jorge Figueiredo da Associação Portuguesa do Veículo a Gás Natural, sendo que 10 pertencem à Dourogás e os restantes quatro à Galp.

A rede de distribuição portuguesa destina-se a alimentar os camiões que circulam no nosso país, para já através das principais vias, mas sobretudo os que rumam à Europa. Mas todos os postos estarão acessíveis para os veículos ligeiros que recorram a gás natural. Fundamental, tanto mais que cada posto de abastecimento tem um custo de 1 milhão de euros, de acordo com a Dourogás. Daí que, par rentabilizar o investimento, cada posto forneça ambos os combustíveis, GNL e GNC, o que significa que a rede concebida prioritariamente para os pesados vai servir igualmente os ligeiros.

Os automóveis ligeiros têm vantagens no GNC?

De acordo com António Calvo, o responsável pelo programa de mobilidade da Seat, em Barcelona, sim. Afirma o técnico, que tem acompanhado o rápido crescimento da rede espanhola de abastecimento de GNC e GNL, que o GNC permite o menor custo por quilómetro face aos combustíveis tradicionais.

Um motor a GNC, basicamente um motor a gasolina adaptado para queimar este gás (além de estar equipado com depósitos para alojar o GNC), fornece ao condutor a mesma potência e força de um motor a gasolina convencional. Mas se o depósito de gasolina estiver limitado a 15 litros, o proprietário (caso seja uma empresa) tem ainda a vantagem de recuperar 50% do IVA do veículo e a mesma percentagem dos custos relacionados com combustível.

Indiscutível é o facto de os modelos a GNC permitirem um custo muito baixo por quilómetro, conseguindo percorrer com apenas 20€ um total de 642 km, melhor pois do que os 371 km dos modelos que usam GPL, 302 km diesel e 276 km dos motores a gasolina.

Fonte: Observador.